Sustentabilidade urbana: o futuro que o Rio precisa

É comum ouvirmos o tema sustentabilidade sob a ótica ambiental, questões ligadas ao desmatamento desenfreado, ao superaquecimento da camada de ozônio, à má conservação do lixo. No entanto, trago um conceito mais complexo, muito além, a Sustentabilidade Urbana. Assunto pouco debatido, norteado por controvérsias, porém, essencial para a qualidade de vida do cidadão. De que adianta pensarmos no desmatamento da Floresta Amazônica, no degelo da Antártida, e não quanto à nossa cidade, ao nosso bairro?
Neste conceito, abordamos a sustentabilidade incorporada à pluralidade de questões do ponto de vista social, econômico, cultural, político, um conjunto de problemas enfrentados pelo cidadão no seu cotidiano. Podemos contextualizá-lo como o socialmente desejável, economicamente viável e ecologicamente sustentável.
Presenciamos constantemente a ineficiência dos transportes e dos serviços públicos, a falta de esgotamento sanitário, a desigualdade social, a violência, o mau armazenamento do lixo, o consumo desenfreado da água e energia elétrica, problemáticas que norteiam o tema. Não obstante, a sustentabilidade urbana é um direito e um dever de todo cidadão.

É notório que a governança está muito aquém de promover a eficiência de um meio social sustentável. Em contrapartida, o cidadão precisa fazer a sua parte. Óbvio, não podemos nos acomodar com a ineficiência. Cobrar é nosso direito, mas também temos que fazer a nossa parte. O desequilíbrio climático vem a nossa cabeça quando pensamos em sustentabilidade. Mas, não somos coautores dessas variações climáticas?
O desacerbado lançamento de monóxido e dióxido de carbono no ar, da queima de combustíveis dos automotores e da indúst30_MHG_Rio_engarrafamento30ria, dos nitrogenados e fosforados, lançados ao mar por falta de saneamento básico, dos pesticidas da agricultura, dos metais pesados da exploração de minerais, dos derramamentos de petróleo no mar na sua exploração, o descarte de detergentes nas águas e as queimadas – estes são os principais agentes do desiquilíbrio ambiental, resultantes da falta de fiscalização governamental e da atividade humana.
O mesmo ocorre com a mobilidade urbana. Assusta essa liberação de crédito desmedida para a compra de carros, não que eu seja contra o acesso do povo, mas é preciso bom senso. O resultado é um trânsito caótico e o lançamento de mais poluentes na camada de ozônio, bem comum no nosso Rio. A ineficiência do transporte público é disparada a maior cooperadora para tantos veículos nas ruas, devido ao reduzido investimento no setor e do atendimento de interesses de empresários, imbuídos em tratos políticos.
A falta de informação da prestação de serviços do setor público é preocupante. A governança não lança campanhas de seus serviços que cheguem a todas as camadas do povo. Geralmente, se dá por meio digital e com custo para o cidadão. Exemplo, a Central de Atendimento ao Cidadão 1746, da Prefeitura do Rio de Janeiro. A Central 1746 afirma 600 mil atendimentos por mês, em especial para remoção de entulhos, de estacionamento irregular, reparo de lâmpadas e de buracos. O contato do cidadão com a central não é gratuito, e pode ser feito pela internet, onde nem todos têm acesso. Isso não é eficiência! Além disso, tais serviços ditos como “resolvidos” vimos corriqueiramente pelas ruas da cidade, mais frequentes nas áreas carentes.
A melhoria da qualidade de vida do cidadão depende também dele. Desperdícios, desordem na estrutura urbana são consequências de nossos atos, uma questão cultural, não fomos educados sob a ótica da responsabilidade sustentável. Em pleno século XXI, nossa sociedade precisa de leis que proíbam jogar lixo no chão, a desregulagem de veículos automotores altamente poluentes, entre outras, quando deveríamos ter sido educados para preservar o meio ambiente, nossa qualidade de vida. Na maioria das vezes essas leis não são cumpridas, e quando as são suas penalidades são brandas.
O mesmo ocorre com o desperdício de água e de energia elétrica, onde há contrapontos. Se as concessionárias emitem cobranças onde o cidadão não tem o controle de seu consumo, ele só o reduz quando pesa no seu bolso. Essa medida está longe de ser a solução. O cidadão precisa ter a consciência de consumir o necessário e as concessionárias de fiscalizações duras por parte dos representantes do povo. Cadê a sustentabilidade urbana?
É este ambiente que queremos deixar para nossos filhos e netos? O que falta é um alinhamento entre o cumprimento de direitos e de deveres do poder público e dos cidadãos. A sustentabilidade urbana começa na nossa casa, segue na fiscalização do poder público, da iniciativa privada, etc. Só assim contribuiremos para um mundo melhor!
Um abraço do amigo,
André Esteves

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