Aos mestres

aos mestres com carinhoAos mestres, com carinho.

Quando era menino queria ser motorista de ônibus. Nunca me passou pela cabeça ser professor. Achava muito difícil esta profissão. Este pensamento deve ter sido inconscientemente desenvolvido pela grande admiração e respeito que tinha pelas minhas primeiras mestras. Nunca fui um aluno a altura das minhas professoras do primário. Fui alfabetizado em casa e entrei na escola municipal Edmundo Lins na terceira série primária, fruto de uma confusão que sempre fiz entre direita e esquerda. Hoje na política sei perfeitamente diferenciar um lado do outro. Passados quarenta anos lembro-me perfeitamente delas e de seus ensinamentos. Elas contribuíram muito para a formação da minha personalidade e para um senso de disciplina e comprometimento com as coisas e as pessoas. Hoje faço uma singela homenagem e um grande agradecimento a Tia Cléia, Élida Mattar Basson e Maria Bernadete de Mattos. Professoras com P maiúsculo.

Com o passar do tempo fui descobrindo uma vocação para o magistério. Talvez uma semente tivesse sido plantada lá na infância e eu não tivesse percebido. Sou realizado com esta profissão. Aprendo a cada dia com meus alunos numa relação de troca e reciprocidade. Deixo claro em todo o início de semestre que estou ali para aprender com eles, com suas histórias de vida pessoal e profissional. Esta atividade me obriga a manter-me permanentemente atualizado sobre as coisas, cria em mim um sentimento de prontidão, eu não sei explicar direito. Também acho que esta atividade me faz mais generoso. Não é fácil conciliar tantas atividades profissionais ao mesmo tempo e por isso às vezes penso em parar de dar aulas por um tempo. Logo vejo que não consigo viver sem interagir com meus amigos-alunos. Virou uma cachaça.

Num dia como o de hoje reafirmo minha vocação e sinto-me como um “pinto-no-lixo”. Logo cedo, e ao longo do dia, vários e-mails e mensagens de parabéns e agradecimento vêm chegando de antigos e novos alunos. Um reconhecimento sincero da importância da transformação que um professor motivado e ciente da sua missão pode fazer na vida dos seus alunos. Sinto-me orgulhoso. Neste momento todas as dificuldades no exercício desta atividade, fundamental na formação de todo e qualquer profissional, ficam menos relevantes. Há de haver um dia, esperamos que o mais breve possível, que as autoridades darão a estes profissionais o reconhecimento e as condições que eles merecem. Enquanto isso seguimos nosso sacerdócio na certeza que por vocês, alunos, tudo vale a pena.

André Esteves

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